O ponto de arraiolos é praticado há, pelo menos, oitocentos anos, pois na catedral de Astorga, situada na Península Ibérica, existe um bordado do século XII, no qual está bem visível o ponto igual ao que hoje se faz nos nossos tapetes. Este ponto que denominamos Arraiolos ficou conhecido em alguns países com os nomes de Ponto cruz oblíquo, Ponto de cruz curto e comprido, ou Ponto de trança eslavo.
Pelo século XVI começou em Arraiolos, uma cidade de Portugal, a fabricação de tapeçaria, inicialmente bordada por viúvas que se inspiravam em cenas da natureza, e se divulgaram nos séculos seguintes firmando-se assim o nome dos Bordados de Arraiolos.
Sabe-se que os antigos povos eslavos praticaram este ponto como também o fizeram os povos norte-africanos, teve ainda vasta influência nos bordados marroquinos e foi divulgado pelos mouros em Portugal e Espanha.
Trazidos ao Brasil por imigrantes portugueses, atualmente o Ponto Arraiolo com que se bordam os nossos tapetes é conhecido por este nome em muitos países da Europa, em algumas partes do extremo oriente e por todo o Brasil onde é muitíssimo praticado.
Na tentativa de classificar os tapetes, estes têm sido agrupados por épocas:
A 1ª Época corresponde ao séc. XVII, caracterizada pela influência persa na composição decorativa flor de palmeira, arabescos, palmetas, nuvens, etc. e por alguns motivos geométricos inspirados em mosaicos e azulejaria, sendo o bordado feito sobre linho.
A 2ª Época corresponde aos dois primeiros terços do séc. XVIII, na qual predominam desenhos de inspiração popular enriquecidos com motivos orientais. Surgem os animais, figuras humanas, juntamente com elementos florais. Este foi o período florescente da indústria artesanal em Arraiolos.
A 3ª Época corresponde aos finais do séc. XVIII e ao séc. XIX, desaparecendo os motivos orientais, os arabescos e, progressivamente, os motivos populares, em favor de grandes ramagens e motivos florais, sendo a composição menos densa.
Pelos meados do séc. XIX, a indústria entrou em decadência, chegaram a desaparecer por completo as oficinas, ficando apenas algumas bordadeiras que trabalhavam por sua conta, nas suas casas ou nas casas dos seus clientes. Foram estas mulheres que, transmitindo a técnica de mães para filhas, tornaram possível o renascimento desta arte, já no séc. XX.
Atualmente, bordam-se, com o ponto Arraiolo, desenhos antigos e modernos, de todas as origens e de todos os estilos. No entanto, os criadores de desenhos para tapetes nem sempre podem ser felizes nas suas composições originais, pois é atividade que muito depende de talento.
São diversos e complexos os problemas atuais que se põem a esta atividade, resultantes fundamentalmente da massiva industrialização verificada nos anos 80 e princípios da década de 90. A manutenção da autenticidade e genuinidade regional dos Tapetes de Arraiolos, a dignidade profissional da atividade das artesãs, a proteção da denominação de origem, são os desafios fundamentais do presente, sem fechar portas às evoluções de estilo características das artes vivas.